terça-feira, março 2, 2021

Análise: com “Mancinismo”, Corinthians encorpa na hora H e cresce coletiva e individualmente

Invicto há sete jogos, o Corinthians cresce no Brasileirão na hora H, faltando dez partidas para o fim do campeonato. Ainda é cedo para apontar qual será o dia D ou o jogo J para garantir a vaga na próxima Libertadores, mas uma coisa é indiscutível: nada disso seria possível sem a revolução M… de “Mancinismo”.

Contratado em outubro, Vagner Mancini encontrou um time debilitado técnica, tática e emocionalmente. Em pouco tempo, descobriu a vacina para problemas que Tiago Nunes e Coelho não conseguiram resolver, colocou o Corinthians na briga pelo G-6 e proporcionou até espetáculo, como na goleada por 5 a 0 sobre o Fluminense, na última quarta-feira.

Se em alguns jogos recentes, como diante de São Paulo e Goiás, o Timão criou muito, mas não aproveitou as chances, desta vez a equipe esteve impiedosa. Foi não só a maior goleada alvinegra na temporada, mas também a melhor atuação.

O primeiro gol ajuda a ilustrar um pouco dos conceitos ofensivos do “Mancinismo”, termo que está em alta entre a Fiel torcida. Bola de pé em pé desde o campo de defesa, sempre em progressão e com velocidade. Quando Fagner fez o cruzamento, cinco jogadores estavam na área para finalizar.

Um deles era Gabriel. O camisa 5 é um símbolo de como Mancini potencializou não só o jogo coletivo do Corinthians, mas também talentos individuais do time. O volante parece outro jogador em relação ao que se via até pouco tempo atrás. A entrega na marcação e a intensidade para fechar espaços na defesa seguem as mesmas, mas a participação ofensiva é muito maior, seja dando opção de passe ou chegando perto do gol adversário para concluir.

Também é possível notar evolução em Gustavo Mosquito, Mateus Vital, Cantillo

Mateus Vital e Gabriel comemoram vitória do Corinthians — Foto: Rodrigo Coca / Ag.Corinthians

Mateus Vital e Gabriel comemoram vitória do Corinthians — Foto: Rodrigo Coca / Ag.Corinthians

Após uma goleada como esta, é natural que os elogios recaiam sobre o setor ofensivo, mas a defesa alvinegra merece ser valorizada. Nos últimos sete jogos o Timão sofreu apenas um gol, e ainda há margem de melhora com o maior entrosamento entre Jemerson e Gil, que atuaram juntos apenas pela segunda vez.

Embora Mancini seja o principal responsável pela melhora corintiana, há outros fatores que ajudam a explicar como, em menos de um turno, a equipe deixou de olhar para o Z-4 e passou a mirar o G-6. Parte do sucesso passa pelas contratações no fim do ano, sobretudo as de Fábio Santos e Cazares, dois dos pilares do Corinthians atualmente.

A queda nas oitavas de final da Copa do Brasil também ajudou. O Timão aproveitou o maior tempo livre para melhorar o condicionamento físico e fazer ajustes, primeiro na defesa, depois no meio e no ataque.

A campanha no segundo turno (terceira melhor, atrás de Palmeiras e Grêmio) já seria suficiente para o torcedor corintiano acreditar na classificação à Libertadores. Soma-se a isso a possibilidade de o G-6 virar G-8, e temos aí a explicação para tanta euforia com o “Mancinismo”, que terá sua prova de fogo na segunda-feira. Será o dia D, de Dérbi!

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