segunda-feira, janeiro 25, 2021

Doação, empréstimo e 8% das obras até dezembro: Atlético-MG publica finanças do futuro estádio

O Atlético-MG abasteceu o portal da transparência, lançado em setembro, com novas informações relacionadas à construção da Arena MRV, o futuro estádio do clube, que está em processo de obras. Foram publicadas no espaço informações sobre demonstrações financeiras e o cronograma das obras. De acordo com o quadro, a casa do Galo estará pronta em 30 de outubro de 2022.

Na última atualização dos avanços da obra – em setembro de 2020 – foram concluídas 3,8% das etapas de construção. O cronograma aponta que o empreendimento irá fechar o ano corrente com 7,9% da obra realizada. Já no fim do 1º trimestre do ano que vem, a evolução dos passos atingirá 16%.

A Arena MRV já passou dos 200 dias de obras, iniciadas em 20 de abril, e com previsão de 30 meses de construção. O estádio terá capacidade para 46 mil pessoas. Hoje, segue as etapas de terraplenagem do terreno no bairro Califórnia. O processo de construção civil está previsto para o início de 2021.

O empreendimento já detém o alvará de construção por parte da Prefeitura de BH, o que permite iniciar a edificação do local. Para ser inaugurada e usada pelo clube, a Arena MRV ainda precisará da Licença de Operação, concedida igualmente pela PBH, e são mais condicionantes a serem cumpridas. As missões do poder público para a Licença de Instalação geraram um aumento de R$ 100 milhões nos custos da obra, hoje orçada em R$ 560 milhões.

Cronograma de obras da Arena MRV — Foto: Portal da Transparência/Atlético

Cronograma de obras da Arena MRV — Foto: Portal da Transparência/Atlético

Finanças e doação

No portal de transparência, o Atlético publicou as “demonstrações financeiras” do primeiro e do segundo trimestres de 2020 da Arena MRV, com auditoria da E&Y, que atua nas contas do próprio clube. Nos documentos, é apresentado o contexto operacional do estádio. Ele é um empreendimento da empresa Arena Vencer Complexo Esportivo Multiuso SPE Ltda.

Essa SPE (Sociedade de Propósito Específico) pertencia à MRV Engenharia, responsável por comprar os naming rights do estádio por R$ 60 milhões. Em 27 de dezembro de 2019, Rubens Menin, conselheiro do Galo e fundador da MRV, comprou 100% das cotas da SPE e as doou ao Atlético.

Em abril de 2020, o Galo, por sua vez, “integralizou” as cotas da Arena Vencer em um Fundo de Investimento Imobiliário, denominado “AVM FII”. O Atlético passou a ser o único cotista deste fundo, que conta com a administração do Banco Inter, da família Menin.

A doação de Rubens Menin foi registrada no balanço patrimonial do Atlético do exercício de 2019 no valor de R$ 49 milhões, o que impediu, inclusive, de o Galo fechar o ano passado com um déficit ainda maior (foram – R$ 6 milhões).

Capital social da Arena MRV — Foto: Portal da Transparência/Atlético/Reprodução

Capital social da Arena MRV — Foto: Portal da Transparência/Atlético/Reprodução

Na demonstração financeira da Arena MRV é informado que Menin “retirou-se do quadro de sócios da Sociedade mediante cessão e transferência da totalidade das 21.783.349 quotas, totalmente subscritas e integralizadas em moeda corrente nacional, no valor de R$1,00 (um real) cada, ao sócio ingressante ATLÉTICO”.

A diferença entre os R$ 21 milhões e os R$ 49 milhões é que o primeiro valor é o quanto, efetivamente, foi gasto para a aquisição do terreno doado. Já o segundo valor é o de “mercado”, ou a avaliação do terreno se ele fosse vendido hoje.

Além do terreno doado por Rubens Menin, a Arena MRV precisou incorporar duas outras áreas para cumprir condicionantes da PBH: o Parque Nacional da Serra da Gandarela, doado para um instituto, e a Mata dos Morcegos, no valor total de ambas em R$ 4,3 milhões.

Empréstimo

Hoje, o capital social da SPE que controla a Arena MRV, denominada “Arena Vencer” e de propriedade do Atlético-MG, é de R$ 312.620.895,00, com a emissão de novas cotas no valor de R$ 290.837.546. O Galo vendeu 50,1% do Diamond Mall para conseguir a maioria da receita que capacitou a construção do estádio.

Entretanto, para a Sociedade iniciar as operações, era preciso um incremento no fluxo de caixa. Para tanto, novamente a MRV Engenharia apareceu. O balanço financeiro da arena registra que a empresa de construção civil emprestou para a “Arena Vencer” R$ 31,5 milhões ainda em 2019, com condições favoráveis de pagamento, que foi realizado em junho de 2020 em R$ 32,6 milhões.

“Esse empréstimo refere-se aportes efetuados pela MRV Engenharia e Participações S.A. (MRV), para os pagamentos de, principalmente, gastos com o Licenciamento de obra e projetos, enquanto a Arena não possuía recursos próprios. O contrato entre as partes prevê incidência de juros de CDI + 2% ao ano e a quitação integral do mesmo ocorreu em 29 de junho de 2020”.

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