quinta-feira, junho 30, 2022
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Em entrevista virtual, Jô explica preferência pelo Corinthians: “Somos bobos para o coração”

O atacante Jô falou pela primeira vez com os jornalistas sobre seu retorno ao Corinthians.

Em entrevista coletiva online com alguns repórteres na manhã desta quinta-feira, em transmissão que chegou a sofrer com problemas técnicos, o jogador de 33 anos explicou a escolha pela terceira passagem pelo clube em que começou a carreira. Ele vestirá a camisa 77.

– A partir do momento em que me desvinculei do Nagoya Grampus (do Japão), existiu uma série de especulações, mas nada oficial. Quando mostrei desejo de voltar para o Corinthians, o Corinthians abriu as portas. A gente é bobo para o coração e acaba se entregando (risos). Estou feliz, é minha casa, eu poderia ter escutado outras propostas, esperado mais, mas penso nos meus filhos, na minha esposa.

Jô com Vilson Menezes e Duílio Monteiro Alves na chegada ao Corinthians — Foto: Rodrigo Coca/Ag. Corinthians

Jô chega ao Timão para um contrato de três anos e meio. Ele comentou na coletiva sobre o momento difícil do clube, que tem dois meses de salários atrasados com o elenco. O jogador não quis detalhar a dívida que o Corinthians tinha com ele – e que será diluída em seus salários.

– Já deixei claro que a parte financeira não ia interferir em nada. Tenho um carinho e uma gratidão muito grandes pelo clube. Hoje em dia, não é só o Corinthians, é o mundo inteiro (que vive problemas financeiros). A gente precisa entender o momento, mas saber que é o Corinthians, um clube que sempre arcou com suas responsabilidades. Para mim, isso não foi um empecilho. Confio nos profissionais do Corinthians, é uma fase que todo mundo está passando. O importante é que estou muito feliz de estar aqui de volta.

– Um clube como o Corinthians, do tamanho do Corinthians, tem problemas. Mas aqui tem pessoas muito capazes de corrigir os problemas. Hoje se externou mais essa questão dos problemas, alguns enxergam como muito grande. Mas isso aqui é Corinthians! Fiz uma ótima escolha. Sei da grandeza, do que o Corinthians é capaz de fazer, da capacidade de contornar os problemas.

Cria das categorias de base do Corinthians, Jô era uma aposta no profissional entre 2003 e 2005, quando foi campeão brasileiro e acabou vendido ao CSKA, da Rússia. Mais experiente, voltou com 29 anos em 2017 e teve muito destaque, sendo campeão paulista, brasileiro e artilheiro do time no ano, com 25 gols.

Agora, chega para tentar elevar o nível ofensivo da equipe que o técnico Tiago Nunes tenta montar.

– Dentro do futebol é natural, a gente já está acostumado com comparações. “Será que é o Jô de 2017 agora?” Quando eu cheguei em 2017, também tinha aquela dúvida: “Será que depois de ficar tanto tempo fora ele vai render?” Eu tento me manter sempre em alto nível. São grupos diferentes, ideias de trabalho diferentes. Mas estou pronto, vinha treinando em casa por conta própria. Aqui é tudo diferente, vai ter que ter adaptação, mas já estou apto a fazer o meu melhor

– Sou corintiano, sempre acompanhei mesmo fora do clube. Desde que saí, até a pandemia, vi os jogos. Ainda vai haver muitas comparações. O Corinthians tinha um modelo de jogo há anos, e hoje o trabalho do Tiago é novo, ele está implementando, requer paciência. Mas é um estilo mais jogado, de pressão alta. Temos que nos adaptar. É um bom trabalho, mas requer um tempo.

Entrevista coletiva de apresentação de Jô no Corinthians — Foto: Rodrigo Coca/Ag. Corinthians

Jô não atua desde dezembro. No começo do ano, teve um problema no joelho que o tirou da pré-temporada no Japão. Ele garante, porém, que esse problema já ficou para trás.

– Estou bem, mas sempre requer trabalho preventivo pra gente ter um bom ano e fazer bons jogos. Graças a Deus, hoje estou 100%.

Foram duas temporadas no Japão, atuando pelo Nagoya Grampus – onde acabou dispensado por justa causa após abandono de emprego durante a pandemia. Em 2018, Jô foi o artilheiro do campeonato e marcou 24 gols em 37 partidas. No ano seguinte, não conseguiu repetir a boa média e fez apenas oito em 37 jogos. Neste ano, por uma lesão no joelho, sequer entrou em campo.

– Minha saída não foi como eu imaginava, mas faz parte do futebol. Detalhe não posso falar por estar em processo jurídico com os advogados, mas não vai ter problema (para o Corinthians). O Nagoya é passado, agora penso no Corinthians – destacou o jogador.

O centroavante acumula 179 partidas e 43 gols pelo Corinthians.

Confira mais trechos da coletiva:

Dupla Boselli e Jô?

– Tudo é possível, a gente tem que estar preparado para ajudar o Corinthians. Já atuei algumas vezes com dois atacantes fixos. São dois jogadores com características parecidas, mas a gente está aqui para ajudar. Se o Tiago optar por um jogo ou não sei quantos jogos… Quem vai poder responder melhor é ele, mas a gente está disposto a ajudar, independentemente da posição.

Felicidade familiar

– Meu pai está muito feliz. De vez em quando eu dou uma travada nele. Não posso contar muitas coisas da minha vida porque ele adora contar. Ele sabe disso (risos). Mas não só ele, minha mãe, minha irmã, a família é toda corintiana. Estou tendo a oportunidade de voltar e dar continuidade a uma história maravilhosa que tenho no clube, a família toda está feliz.

Outras propostas

– Eu deixo claro porque a gente tem que ser sincero. O futebol é aberto, houve especulações sim, mas deixei claro que se voltasse para o Brasil, a prioridade seria o Corinthians. Isso acaba afastando outras possibilidades. Sou sincero, honesto e tenho palavra. Fiz uma ótima escolha e estou muito feliz.

Só oito gols em 2019

– Meu primeiro ano no Japão, em 2018, foi com um treinador japonês que tinha um estilo de jogo extremamente ofensivo. Se você buscar os números, nossa equipe foi a segunda ou terceira com mais gols, mas foi a mais vazada. A gente tinha um time ofensivo, que me favoreceu. No segundo ano, comecei bem, mas tive uma lesão grave no tornozelo, rompi ligamentos. Como tinha importância no clube, voltei para ajudar, mas sentia dores, meu joelho sobrecarregou muito. Aí fui me arrastando, teve outra troca de treinador, um italiano entrou nas últimas partidas e tinha um esquema tático mais defensivo, diminuíram as chances de gol e, consequentemente, caíram os números de gols. Houve uma série de detalhes que prejudicaram, mas, no todo, a média de gols foi alta.

Busca por marcas

– É sempre bom a gente ter objetivos na vida. A gente sempre passa por um clube para fazer história. Fui construindo minha história aqui dentro e tenho a oportunidade de dar continuidade. Meu pensamento é ajudar o Corinthians, mas tendo esses objetivos paralelos a gente vai buscar, nos motiva a treinar para marcar a história do clube. Depois que para, o reconhecimento é bom. Vou tentar a cada dia romper barreiras e alcançar objetivos dentro do clube.

Saída em 2017

– Não me arrependo, era muito difícil fazer um ano como eu fiz, da maneira que comecei, me readaptando ao futebol brasileiro, e aí sou campeão paulista, brasileiro, artilheiro, melhor do campeonato… As propostas surgiram e optei por sair, era o melhor para minha família, fiz o que tinha que ser feito e não me arrependo. O trabalho foi tão bem feito que as portas ficaram abertas e eu pude voltar. Tem momentos em que você tem que tomar uma decisão e seguir seu caminho. Fiz um grande trabalho em 2017 e era inevitável sair.

Aposentadoria no Corinthians

– Não posso pensar em aposentadoria agora, pelo amor de Deus. Mas a gente sonha. É um sonho isso. Eu comecei no Corinthians com sete anos, depois rodei o mundo. Lógico que você pensa em terminar onde começou, mas eu não voltei agora pensando em aposentadoria, mas pensando em fazer o meu melhor. Mas lógico que passa na minha cabeça encerrar a carreira no Corinthians

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