quinta-feira, maio 19, 2022
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Falta critério aos comissários: a não punição de Vettel no GP de Cingapura

Lewis Hamilton, da Mercedes, parecia resignado, sábado, no Circuito Marina Bay, depois de obter apenas o quinto tempo na sessão de classificação do GP de Cingapura, 14ª etapa do calendário. A pole position de seu adversário na luta pelo título, Sebastian Vettel, da Ferrari, servira como uma mensagem: as chances de perder a liderança do mundial eram grandes. Hamilton tinha apenas três pontos de vantagem. “Preciso de um milagre”, afirmou o inglês.

Já neste domingo a emoção de Hamilton, como ele comentou, era difícil de descrever. Incrédulo, talvez fosse a melhor definição. “Fui abençoado”, disse. É religioso, como era o seu ídolo, Ayrton Senna. Isso porque pior que a terceira fila no grid, sábado, foi ver que a diferença de desempenho entre o modelo SF70H da Ferrari e o seu Mercedes W08 Hybrid era maior do que supunha. Foi 635 milésimos mais lento.

Pior ainda para Hamilton: os dois pilotos da RBR, Max Verstappen, segundo no grid, e Daniel Ricciardo, terceiro, da mesma forma sugeriam dispor de um carro mais rápido que o seu.

Mas ao fim da 58ª volta da corrida neste domingo Hamilton não apenas celebrava a vitória, terceira seguida, sétima na temporada, 60ª na brilhante carreira, como o fato de Vettel ser o responsável pela eliminação da favorita Ferrari da competição.

O alemão, provavelmente pressionado pela perda da liderança do campeonato diante da torcida de sua equipe, em Monza, há duas semanas, desequilibrou-se na defesa de posição com Max, logo após o início da prova. Não mediu, com a necessária frieza, a extensão de sua reação instintiva.

Resultado: em vez de Vettel e a Ferrari estarem, a essa altura, comemorando a retomada do primeiro lugar no mundial, dada a diferença de performance para a Mercedes no Circuito Marina Bay, como os italianos esperavam, o alemão talvez esteja pensando o que dizer na reunião programada pela escuderia italiana para esta segunda-feira, em Maranello, onde enfrentará cara a cara o duro chefão, Sérgio Marchionne.

Raio X do ocorrido

GP de Cingapura começa com choque entre Verstappen, Raikkonen e Vettel

GP de Cingapura começa com choque entre Verstappen, Raikkonen e Vettel

Para os comissários desportivos do GP de Cingapura, não há responsável pelo acidente na largada. Vamos tentar entendê-lo melhor?

A chuva forte durante o dia e mais leve no início da corrida retirou a borracha do asfalto, reduzindo a aderência. Assim, os pilotos foram para essa importante parte da competição sem estar preparados como de hábito, por a praticarem no grid ao final de todo treino ou na saída de box. Não choveu sexta-feira e sábado.

Vettel não largou bem. Viu Max procurando tomar a curva 1, para a esquerda, por dentro. Como é normal das corridas, desde o kart, Vettel tentou fechar a porta, posicionar ele próprio por dentro. É a chamada defesa de posição. Ocorre que Vettel com certeza viu que o companheiro de equipe, Kimi Raikkonen, quarto no grid, havia dado uma largada espetacular e ainda mais por dentro já tinha sua Ferrari lado a lado com Max e ele próprio.

Inconsequente, Vettel deslocou o carro mais para a esquerda, para fechar de vez a porta a Max. A luta com Raikkonen, eventual perda de posição, poderia ser resolvida mais tarde. De alguma forma o time o faria assumir novamente a ponta. O importante era não deixar o holandês ganhar a sua posição.

No instante em que Max compreende não haver mais espaço para ele seguir em frente, reduz a aceleração. Foi o que disse nas entrevistas, comprovado pelas imagens. Seu RB13-TAG Heuer (Renault) não está mais lado a lado com Raikkonen e Vettel, mas meio carro para trás.

Max tinha, portanto, menor velocidade que Raikkonen. Seu acelerador não estava no curso máximo. Assim, a roda traseira direita da Ferrari do finlandês encontrou pela frente a dianteira esquerda da RBR de Max. O holandês não podia se deslocar para a direita por causa de Vettel o estar pressionando a ir mais para a esquerda, onde se encontrava Raikkonen, já a centímetros dele. O espaço entre as rodas esquerdas de Vettel e as direitas de Raikkonen era menor dos dois metros da largura da RBR de Max.

O toque da roda direita traseira do SF70H de Raikonen na dianteira esquerda do RB13 de Max catapultou o finlandês. Estavam já em quinta marcha, a pelo menos 220 km/h. Sua frente foi lançada para o lado direito, onde estava a Ferrari de Vettel. Lembre-se, Max se encontrava mais para trás. Houve o choque violento do bico do monoposto de Raikkonen na lateral esquerda do carro de Vettel, destruindo o radiador de água e sua tubulação, dentre outros danos.

Sem controle, Raikkonen seguiu em frente, com as rodas travadas, pelo uso dos freios. Chegou na curva 1 se arrastando no instante em que Max passava. Houve outro impacto entre ambos. Ao se deslocarem para fora da curva, pela inércia do movimento, atingiram a McLaren de Fernando Alonso, autor de ótima largada. Era o oitavo no grid.

Vettel ainda contornou a curva 1 na primeira colocação, com Hamilton, surpreso, já quase assumindo a liderança, depois de largar muito bem. Tirou o pé do acelerador para não tocar em Vettel. Mas poucas centenas de metros mais para a frente, os líquidos de arrefecimento perdidos pela Ferrari de Vettel caíram no asfalto e reduziram ainda mais a aderência, fazendo-o rodar e bater de frente do muro. Foi um perigo, pois todos o demais vinham a seguir.

O quadro a quadro do acidente evidencia a responsabilidade de Vettel pelo choque de Raikkonen em Max, no de Raikkonen na sua Ferrari e no seu próprio abandono, em decorrência dos danos causados ao conjunto mecânico.

Não foi a primeira vez

Em 2016, Vettel se envolveu em incidente em Spa, também na primeira volta (Foto: Getty Images)Em 2016, Vettel se envolveu em incidente em Spa, também na primeira volta (Foto: Getty Images)

Em 2016, Vettel se envolveu em incidente em Spa, também na primeira volta (Foto: Getty Images)

No GP da Bélgica do ano passado, aconteceu algo semelhante envolvendo os mesmos três personagens, também em seguida à largada. Vettel veio por fora na curva 1 e decidiu contorná-la mais por dentro de onde vinha, sem se preocupar em saber se já havia algum piloto por lá, como com certeza era o caso por se tratar da largada.

Vettel não deixou espaço para Raikkonen, numa trajetória mais interna, que por sua vez tinha Max ainda mais por dentro, já colado ao muro. Assim, Vettel tocou em Raikkonen que, sem ter para onde ir, se chocou involuntariamente com Max.

O alemão também rodou em frente a todo o pelotão que vinha atrás. Max e Raikkonen tiveram de completar a primeira volta devagar até chegar nos boxes para reparar seus carros. Vettel seguiu na prova e terminou em sexto. Raikkonen foi nono e Max, 11º, quando era segundo no grid.

Neste domingo, Vettel adotou a mesma receita de Spa, fechar a porta desproporcionalmente. Provocou na Bélgica e em Cingapura acidentes que comprometeram a participação de outros pilotos.

Se os comissários fossem mais criteriosos, Vettel deveria ter recebido a chamada reprimenda em Spa, no ano passado. E neste domingo, por ter feito algo que já o levou a ser chamado a atenção, receber, então, uma punição, como a perda de dez colocações no grid na próxima etapa, o GP da Malásia, dia 1º, em Sepang.

O “filme” dos dois acidentes não deixam margem à interpretação. Raikkonen e Max tiveram suas corridas comprometidas por uma reação inconsequente de Vettel, não deixar espaço a Max, neste domingo, e Raikkonen, em Spa. A lição que ele levará para a sequência da notável carreira é que poderá continuar fazendo o mesmo porque, para os olhos da FIA, “é legal”.

Não é incorrer em erro acreditar que por Vettel ter sido naturalmente punido com o abandono em um GP que tinha tudo para sair vitorioso, mais em vez disso viu Hamilton ampliar a diferença entre ambos no mundial de três para 28 pontos, já foi suficiente, não seria mais necessário aplicar nenhuma sanção. O alemão esportivamente já pagou o preço. Como se um fato pode ser ligado ao outro.

Os comissários desportivos do GP de Cingapura foram: Gerd Ennser, alemão, Silvia Bellot, espanhola, Nish Shetty, Cingapura, e o piloto convidado para ser comissário foi o italiano Emanuele Pirro, com passagem pela F1 de 1989 a 1991 e nada menos de cinco vezes vencedor das 24 Horas de Le Mans.

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