Fórum Viva Futebol faz sucesso em Salvador

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Integrantes da comunidade esportiva da Bahia foram contemplados no último sábado (24), à tarde, com um encontro enriquecedor sobre o futebol brasileiro e tudo aquilo que envolve a sua prática. O 1º Fórum Viva Futebol Salvador reuniu cerca de 200 pessoas no Auditório do Novotel, na Avenida Paralela. Os organizadores, palestrantes e profissionais do futebol presentes comentaram sobre a implantação do VAR (árbitro de vídeo) no Brasil e que, em 2019, fará sua estreia no Campeonato Baiano (confira as opiniões no final da matéria).

Ao lado do ex-jogador e empresário Fábio Melo, representante da Fechando o Gol – Academia de Goleiro de Zetti, o técnico Vágner Mancini e a jornalista esportiva Ayana Simões realizaram o evento, que contou com o apoio da Secretaria de Trabalho, Esportes e Lazer, órgão da Prefeitura de Salvador e da Penalty. A Federação Bahiana de Futebol foi representada no fórum pelo assessor da presidência, Sílvio Mendes Júnior.

Para um dos idealizadores do projeto pioneiro na Bahia, o técnico Vagner Mancini, o objetivo é expandir conhecimento sobre o futebol. “Eu saio daqui do evento muito mais feliz do que quando entrei. Percebo que todas as pessoas que aqui estiveram sairão um pouquinho melhor, com um pouquinho mais de conhecimento e este fórum deve ser realizado mais vezes em Salvador, para que possamos discutir a nossa paixão, que é o futebol “, destacou.

Vágner Mancini, Marcelo Sant’Ana, Fábio Melo e Alexandre Pássaro

O diretor da ‘Fechando o Gol’, empresa organizadora do evento, Fábio Melo, disse que 2019 terá pelos menos mais dois encontros do Viva Futebol e reforçou a importância do fórum. “O encontro foi além da expectativa de público e do nível das discussões, e o melhor, ajudando a fomentar o futebol do Brasil”, afirmou.

O primeiro palestrante foi o ex-jogador Mauro Silva, que atualmente é vice-presidente de atletas e competições da Federação Paulista de Futebol  (FPF). Ídolo do La Coruña, da Espanha, e tetracampeão mundial de futebol em 1994, ele palestrou sobre a importância do futebol na sociedade.

Mauro Silva destacou a necessidade de valorizar o trabalho social nas divisões de base, qualificando os jovens atletas, com ênfase no desenvolvimento humano. “É preciso trabalhar o lado cidadão dos jogadores de futebol, já que a carreira é curta e, no futuro, com esse enriquecimento cultural, poderão desenvolver outras atividades profissionais”, disse.

O próximo a palestrar foi o gerente executivo do São Paulo, Alexandre Pássaro, dissertando sobre gestão de futebol e análise de mercado.  O trabalho do centro de inteligência nos clubes brasileiros foi abordado pelo jovem dirigente, ressaltando que a figura do “olheiro” não está fora desse contexto. “Os clubes brasileiros precisam buscar exemplos dos times de outros países desenvolvidos para aplicar nas suas estruturas, desde a gerência da empresa a saúde dos atletas”, destacou Pássaro.

Com uma palestra criativa e empolgante, o gerente executivo do Palmeiras, Cícero Souza, arrancou aplausos da plateia ao expor que o futebol precisa ser vivido com paixão por quem o organiza. “O país necessita de eventos como o Viva Futebol para debater o papel dos clubes na sociedade e sua relevância social”, acrescentou.

O apresentador do Grupo Globo de Televisão e ex-jogador Róger Flores falou sobre a relação futebol e imprensa. “É importante um debate em que você visa crescimento, a estruturação, e a modernização do futebol. O evento conseguiu reunir pessoas importantes e explorar diversos assuntos, além de ajudar e capacitar novos talentos para a gestão do futebol”, afirmou.

O treinador Mauricio Barbieri mostrou como a tecnologia é um grande aliado para os times dentro do campo. “Os treinadores e seus auxiliares podem estudar a formação dos adversários  e montar o esquema de jogo através de vídeos e ferramentas, que auxiliam e analisam o rendimento dos atletas”, explicou.

Após as palestras ocorreu uma mesa redonda com mediação de Roger Flores, da qual participaram Vagner Mancini, Cícero Souza, Murício Barbieri e o gerente de futebol do Grêmio, André Zanota, que acabara de chegar com a delegação do clube gaúcho para enfrentar o Vitória pelo Campeonato Brasileiro da Série A. “Os clubes brasileiros precisam se unir em prol do futebol a serviço do social, além de debater e implantar modelos de gestões internacionais dentro das instituições futebolísticas”, afirmou o gestor do Grêmio.

Antigos e atuais dirigentes de Bahia (Marcelo Sant’Ana, Pedro Henriques e Diego Cerri) e Vitória (Agenor Gordilho e Raimundo Viana), além de ex-jogadores como Paulo Isidoro, Hugo Aparecido, Nadson, Emerson (goleiro), Roberto Bahia, Téo Sena, Jean (zagueiro), e outros profissionais do futebol como Aroldo Moreira (ex-jogador), Dudu Fontes, Lucas Itaberaba, como também membros da imprensa esportiva baiana, marcaram presença no Fórum Viva Futebol.

IMPLANTAÇÃO DO VAR

“Toda tecnologia quando ela é nova tem um custo alto e acho que com o tempo vai cair, tornando-se uma tecnologia mais acessível. Então isso é uma boa notícia porque na minha visão o VAR chega para ficar. É uma ferramenta à disposição do árbitro que vai trazer mais justiça, mais integridade para a competição. Não resolve todos os problemas, mas sua ideia é minimizar os riscos e resolver as grandes injustiças. Não é para checar tudo, mas os grandes erros. Se seguir o protocolo da IFAB (órgão de arbitragem da FIFA) corretamente, eu acho será bem aplicado. Outra tecnologia que é uma questão de tempo para chegar no nosso futebol é o chip na bola. Mas são ferramentas à disposição do árbitro, que continua soberano em campo, inclusive para não checar se assim achar necessário” (Mauro Silva, ex-jogador e vice-presidente da Federação Paulista de Futebol). 

 Mauro Silva, ex-jogador e vice-presidente da Federação Paulista

“Na verdade, o que eu acho é que o VAR só com um tempo é que as pessoas vão ganhar um pouco mais de ‘know haw’ de como operar e de como avaliar a sua tecnologia para que de fato possa auxiliar nas partidas. Nós tivemos experiência na Copa Sul-Americana (contra o Atlético-PR) de em duas oportunidades, o uso do VAR de uma maneira muito contestada por toda a nossa equipe, justamente porque acho que não há um domínio tão grande da imagem em câmara lenta. A soberania do árbitro, principalmente quando está ao lado do lance, de falta ou não, ele pode ter uma interpretação ao vivo, no momento real, e depois em câmara lenta se observa que o jogador resvalou o pé na perna do outro ou na cabeça. Mas, eu acho que com o tempo quem opera atrás das câmeras, fazendo contato com a arbitragem, vai ficar mais experiente, dominar mais o trabalho de vídeo e a tendência é que de fato beneficie o futebol. Tem coisas milimétricas que a gente podia repensar um pouco. Difícil ter uma precisão. São coisas que a gente pode melhorar. O chip na bola é uma coisa essencial, relativamente simples e que colabora muito em lances que são capitais no jogo. Não vejo dúvida de que o chip vai existir em breve no futebol brasileiro” (Diego Cerri, gestor de futebol do Bahia).

“Acho que o VAR precisa ser entendido como um primeiro passo de uma modernidade. Acho que ele ainda não está pronto, o protocolo ainda não está aperfeiçoado, na minha opinião porque não é fácil você implementar uma inovação dessa tão grande e tão diferente, em um ambiente supertradicional como o futebol com quase as mesmas regras desde 1900, 1910, enfim. Então eu acho que o VAR demanda aprimoramentos e entendimento das pessoas de quando ele deve ser aplicado. A gente está cansado de ver jogadores, treinadores, pedindo o VAR até para escanteio, lateral. O chip na bola, por exemplo, é uma coisa tão simples e perfeita. A gente só precisa baratear custos para aplicá-lo no futebol brasileiro (Alexandre Pássaro, gestor de futebol do São Paulo).

Alexandre Pássaro, gestor de futebol do São Paulo

“É um assunto complexo a implantação do VAR, mas eu acho quea evolução do esporte pede a tecnologia, agora não é de uma hora para outra que ela vai funcionar da melhor maneira. A gente precisa se aprofundar. Aprender mais a condução do VAR, a comunicação entre os árbitros, a soberania do árbitro do campo. Tudo isso leva um pouco de tempo para a adaptação deste novo conteúdo dentro do futebol. Não seria, lógico, de uma hora para outra que funcionaria às mil maravilhas. A gente tem tido problemas, mas eles poderão ser superados ao longo do tempo com um conhecimento melhor do assunto. O chip na bola já era para ser uma realidade aqui, mas a gente passa por uma situação financeira difícil no país. Não é um projeto fácil e barato de ser implementado. Os clubes têm de estar todos a favor” (Roger Flores, comentarista do Grupo O Globo)

Roger Flores, ex-jogador e hoje comentarista esportivo

“Primeiro eu sou a favor, acho que a tecnologia é importante, mas ainda está gerando muita dúvida na condução, na finalização. Estava no jogo do Palmeiras contra o Boca Juniors, pela semifinal da Libertadores, e pude ver o que a decisão de um VAR reflete na atmosfera do estádio. Foi no início do jogo, onde a atmosfera estava muito positiva para o Palmeiras. Fizeram um gol e houve muita demora para conclusão do assunto, A informação tem que chegar mais rápida e o poder de decisão tem de ser muito claro, se é do árbitro de vídeo, do árbitro central ou do lateral. Então, o VAR é muito bem-vindo, mas tem de ser melhor definida e propagada para torcida e imprensa. Toda tecnologia a favor da justiça e para minimizar os erros, como por exemplo o chip na bola, eu vou sempre apoiar” (Fabio Melo, ex-jogador e diretor da ‘Fechando o Gol’)

“A bem da verdade, eu acho que todos nós precisamos compreender que estamos no momento de adaptação. Era algo que não existia aqui e foi introduzido. Todos, dentro de uma mentalidade tipicamente brasileira, alguns querem que os benefícios sejam para o seu lado. A gente tem que melhorar é nós mesmos como avaliador desse processo. O VAR veio para contribuir, evitar que as equipes mais técnicas, de maior investimento, possam ser prejudicadas por lances que nem são interpretativos, mas simplesmente por não te dar uma condição de observação melhor e isso é bom para o futebol brasileiro para que o resultado técnico do jogo seja respeitado. Entender que estamos num processo de adaptação e não cercar os trios de arbitragens com polêmicas desnecessárias. A capacidade de fazer uma avaliação tecnológica, como o chip na bola, vai te dar um resultado real. Então tudo que vier como benefício e o chip também vem, eu sou favorável” (Cícero Souza, gestor de futebol do Palmeiras)”.

Cícero Souza, gestor de futebol do Palmeiras

“Acho que o VAR é positivo e como uma tecnologia nova envolver um tempo de adaptação. As pessoas irem aprimorando casa vez mais. Contribui para que tenhamos resultados cada vez mais limpos. Que prevaleça o que acontece efetivamente em campo. Os erros possam ser diminuídos, os clubes investem muito, é uma indústria que envolve muito dinheiro, então nada mais justo que prevaleça realmente o que aconteceu. Não sei o que acrescentar, mas envolve mais um tempo de uso para que a gente possa efetivamente ver quais são as deficiências que a gente precisa melhorar e quais são as virtudes que a gente pode explorar ainda melhor. Sou a favor do chip na bola, mas precisa saber se a gente conseguiria ter os recursos necessários para implantar. Se fosse possível também viria agregar ao jogo, sem dúvida” (Maurício Barbieri, treinador de futebol)

Maurício Barbieri , ex-técnico do Flamengo

“Eu acho que o VAR vem para a melhoria do futebol, a tecnologia está sendo implantada, mas a gente não pode tirar de maneira alguma a decisão do árbitro. Ele tem um recurso que é o VAR. A partir do momento em que ele deixa a decisão do lance ser tomada por alguém que está fora das quatro linhas, eu acho errado” (Vágner Mancini, técnico de futebol).

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