No fim de janeiro, Marcos Guilherme deixou Curitiba e embarcou rumo à Croácia para fechar empréstimo de 18 meses com o Dínamo Zagreb após novela que esteve próximo de levá-lo do Atlético-PR para o Flamengo.

Ao chegar, viu neve por todo o lado.

Com contrato no rubro-negro paranaense até 2019, o meia-atacante de 21 anos já foi até mesmo tido como jogador mais promissor do clube por sua figura mais influente, Mario Celso Petraglia. Ele deixou a Arena da Baixada após o período mais difícil de sua carreira, conforme a sua avaliação, e sem ambiente para seguir na equipe devido à ‘perseguição’ dos torcedores.

“Foi um momento complicado. Eu já não tinha clima nenhum para continuar no Atlético-PR”, afirma o atleta.

“Tinha que sair e ter uma novo lugar para jogar então fiquei no impasse de Flamengo e outros grandes que estavam tentando. Gerou uma ansiedade de saber onde vai jogar e se preparar mentalmente”, prossegue. “Foram dois meses de negociação com Flamengo. Fiquei no meio disso tudo e querendo que resolvesse tudo o quanto antes. De última hora, apareceu o Dínamo com uma proposta em dois dias. Estava tudo certo e preparado para ir jogar no Flamengo. Me falaram que aceitaram a proposta e no dia seguinte arrumei as malas para ir embora para o Croácia”, completa.

Ao todo, o Atlético-PR recebeu 1 milhão de euros (R$ 3,3 milhões) pelo acordo de um ano e meio.

Entre outros, o Santos fez mais de uma oferta por seu futebol.

A ida para Zagreb teve direito a conversa antes com o técnico Paulo Autuori e o argentino Lucho González.

“Quando surgiu o Dínamo, fui pesquisar tudo, como era a cidade, o clube, quem já tinha jogado por lá. Fucei tudo para saber se era um bom lugar, perguntei ao Autuori se conhecia. Falei com o Lucho também e só tive boas respostas, por isso também que decidi aceitar. Vi que todos falavam bem do clube e da cidade. Não tinha razão para não vir”, revela.

Mesmo após um 2016 que deixou para trás, Autuori ganhou a sua admiração.

“É um cara sensacional, nunca vou esquecer. Ele é diferente de todos os outros. No meio do futebol, nunca vi um treinador que todos jogadores gostavam dele, mesmo estando na reserva ou nem sendo relacionado. Não me lembro de um grupo gostar tanto de um treinador. Quando você está no banco, você quer arrumar uma desculpa que é o treinador. Se você não é convocado, é pior ainda. Todo mundo gosta dele porque é correto. Não tem historinha nem conversinha, ele fala o que precisa falar”, analisa.

Nem o ex-presidente Petraglia, que hoje comanda o Conselho Deliberativo do Atlético-PR, conta com a sua antipatia.

Ao longo da negociação com o Flamengo, o cartola chegou a ser acusado de dificultar o diálogo, irritou a cúpula dos cariocas e pôs o eventual acordo em risco mais de uma vez.

“Tenho uma boa relação com o Petraglia, sim. Mas diferente do que a torcida do Atlético-PR acha, eu nunca fui de conversar muito com ele. Em todos esses anos, só falei frente a frente com ele umas três ou quatro vezes no máximo. Mas a relação é muito boa e sei que ele gosta muito de mim”, conta.

“Sempre fui muito cobrado até pelo que o Petraglia falou. Em 2012, quando eu estava na base, ele disse que eu poderia ser o maior talento do Atlético-PR. Por essa frase, fui extremamente cobrado. Quando eu estava bem e jogando isso, não atrapalhou em nada, foi só confirmando. Mas nós sabemos que futebol é fase, tem fase boa e ruim. Ano passado tive uma fase muito ruim, foi meu pior ano como profissional. Isso é normal, sou novo e oscilo. Por causa dessa frase, no momento ruim atrapalhou bastante. Se não tivesse essa frase, com certeza as coisas seriam diferentes no mau momento”, completa.