segunda-feira, maio 16, 2022
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No fim do mandato, Sant’Ana abre o jogo: erros, acertos, Jean e futuro incerto

Marcelo Sant’Ana é, hoje, um sujeito muito mais leve. De todas as entrevistas que concedeu ao longo desse triênio de gestão, exceto nos momentos de celebração por algum título conquistado, essa foi a mais serena. O semblante descontraído, sorriso no rosto. Na véspera da eleição que vai decidir quems será o novo presidente do Bahia pelos próximos três anos, o atual curte aliviado os últimos momentos no cargo. Por motivos pessoais, Sant’Ana decidiu não tentar a reeleição. Vai descansar nesse fim de ano e oferecer à família a atenção que faltou nos últimos três anos.

Nos últimos dias de trabalho, Marcelo Sant’Ana costurou a venda de Jean para o São Paulo e encaminhou algumas contratações, mas o martelo só será batido pelo próximo presidente. Evitou falar em nomes, como foi característica da sua gestão. E falou sobre outros temas também: acertos, erros, Cidade Tricolor x Fazendão.

E qual será o futuro do presidente (por pouquíssimo tempo) do Bahia? Ainda não está definido, Sant’Ana já recebeu propostas, mas já sabe que quer continuar no mundo do futebol.

Abaixo, você confere a entrevista que Marcelo Sant’Ana concedeu ao GloboEsporte.com.

Qual a avaliação que você faz dessa gestão?
– Satisfeito pelo que conseguiu construir. Claro que sempre você tem mais desejos, mais sonhos, porém acredito que a gente deixa uma marca na parte de patrimônio, credibilidade administrativa muito forte. E uma alegria muito grande. Dentro de campo, com título baiano, título de Copa do Nordeste, acesso, classificação para a Sul-Americana, disputando aí uma vaga na pré-Libertadores até a última rodada, e um elenco aprovado, com contrato longo de alguns jogadores, e jovens. Nós temos o elenco mais jovem da Série A.

Foi o seu maior acerto essa questão patrimonial?
– Acredito que a parte de patrimônio e resgate da credibilidade são as duas grandes marcas que a gente construiu no clube, o que reflete na autoestima, com a torcida resgatando a sua capacidade de sonhar, de apoiar, de investir. Então, acredito que, quando você faz essa reflexão desses três anos, de onde o Bahia estava e de onde a gente poderia ir, com o hoje, de onde o Bahia está e o que espera do futuro, o saldo é extremamente positivo.

Esse foi o maior acerto. E o maior erro dessa gestão?
– Ah, erros sempre vão ter.

O maior. O que mais te incomoda, na verdade.
– Me incomoda muito não ter subido em 2015. A gente fez uma Série B muito mais estável do que a de 2016, mas na reta final a gente não conseguiu o acesso. Acredito que aquilo ali me chateia, porque a gente poderia ter avançado muito mais no clube se tivesse subido no primeiro ano. A gente teria desenvolvido muito mais situações com o acesso no primeiro ano. Mas faz parte. Se foi desse jeito que a gente teve que construir nossa história, a gente tem que olhar para frente, tentar corrigir esses erros.

Arrepende-se de alguma coisa?
– Não. Errar e acertar faz parte das nossas vidas. A gente tem erros, tem limitações, tem fraquezas. Mas eu nunca fiz nada para prejudicar o clube. Algumas situações, até terminei me prejudicando, mas para ter o Bahia sempre à frente na tomada de decisão. Essa é a postura que um presidente tem que ter. Fico feliz de ter me comportado dessa maneira.

Você tem encaminhado algumas contratações, que vão ficar para o próximo presidente decidir. Muito se fala sobre Jean, que os dois clubes já estariam acertados e a decisão vai ficar para o próximo. O que você pode falar sobre isso?
– Jean é uma situação que vem sendo discutida há cerca de um mês entre os dois clubes, com muita discrição, porque a gente se enfrentaria na última rodada. E a gente queria sempre manter o atleta com tranquilidade, porque o desfecho não está resolvido 100%. Essa decisão cabe ao novo presidente do Esporte Clube Bahia. O São Paulo já nos apresentou uma proposta, a gente fez uma contraproposta. Temos uma proposta formal, documentada, do São Paulo.

Agradou?
– Tem situações favoráveis ao Esporte Clube Bahia. Tem ainda um detalhe que, no mínimo, um jogador vem ainda para o Bahia. Então existia ainda essa pendência para amarrar todas as contas. Mas tem que ser feito com toda a cautela também. No Globo Esporte, na TV, fui perguntado sobre o São Paulo querer rediscutir ou não essa contratação de Jean, seja prazo de pagamento, seja de valores… Porque saiu uma matéria na imprensa paulista, mas o Esporte Clube Bahia, até agora, sexta, 12h, não foi procurado pelo São Paulo em hora alguma para rediscutir tema nenhum, não.

Marcelo Sant'Ana admite conversas e diz que ainda não foi procurado para renegociar termos de Jean com o São Paulo (Foto: Felipe Oliveira/Divulgação/EC Bahia)Marcelo Sant'Ana admite conversas e diz que ainda não foi procurado para renegociar termos de Jean com o São Paulo (Foto: Felipe Oliveira/Divulgação/EC Bahia)

Marcelo Sant’Ana admite conversas e diz que ainda não foi procurado para renegociar termos de Jean com o São Paulo (Foto: Felipe Oliveira/Divulgação/EC Bahia)

E em relação aos dois atletas da Ponte Preta, Elton e Nino Paraíba?
– Não gosto de discutir nomes de jogadores. A gente não fez isso durante todo o mandato. Seja para não alertar a concorrência, que pode querer atravessar uma situação ou outra, ou porque são atletas ainda que têm vínculos com outras instituições, embora estejam em períodos de pré-contrato, então não há tecnicamente nada de ilegal de ser abordado nem de imoral, porque o campeonato já terminou. Então é uma situação de mercado. Mas a definição de contratações vai caber ao próximo presidente. A gente tem, sim, com alguns atletas de posições variadas, encaminhado negociações. Porque o Bahia não pode parar e o Bahia não pode sair atrás nesse mercado de atletas. Nossa capacidade econômica tem limites, então a gente tem que ter muita habilidade na montagem de elenco. Como a gente tem uma base formada, isso nos dá uma segurança já de iniciar essa qualificação do elenco. Então a gente tem feito, sim, algumas abordagens, algumas conversas. Mas a última palavra, decisiva, será do próximo presidente do Esporte Clube Bahia.

Você tinha o direito, mas preferiu não tentar a reeleição. Por quê?
– Questão familiar. A gente fica muito distante. Desses três anos, acredito que fiquei um fora de Salvador, viajando com delegação, Brasília para resolver questões políticas, CBF no Rio de Janeiro, patrocínios em São Paulo, principalmente. É hora de olhar um pouco para dentro da nossa casa, ficar mais perto das pessoas que a gente gosta. Perdi muitas questões sociais com meus amigos de infância, amigos de colégio, de faculdade. Então, essa rotina de presidente é desgastante. Você tem que ter sempre a instituição como prioridade, acima de outros interesses. Esse é o ponto principal. Mas acredito que, para a democracia do nosso clube, é válida essa alternância de poder, de quem está responsável pelo destino do clube, independentemente de a metodologia, de a linha de trabalho seguirem. Então é salutar, é valido. E o sócio, acho que vai ter toda a tranquilidade, toda a segurança de escolher o melhor candidato para dar continuidade ao trabalho que está sendo conduzido no Bahia.

Falando sobre isso, na pessoa que vai assumir, e voltando à questão patrimonial, o Bahia está de posso da Cidade Tricolor, do Fazendão, e precisará decidir o que fazer: se fica com os dois, se vende um, qual vai usar. Para o seu sucessor, qual seria o seu conselho?
– Tem que ter muita tranquilidade, acima de tudo. Como você citou, hoje a posse do Fazendão, da Cidade Tricolor e do Jardim das Margaridas já é do Esporte Clube Bahia. A gente está por questões jurídicas, de detalhes, da propriedade também vir para o Bahia, mas ano que vem fatalmente estará, porque já tramitou em todas as instâncias, então foi um acordo celebrado em juízo entre Bahia, OAS e Planner. Tem que ter sabedoria. O Bahia hoje é um clube que volta a ter o seu patrimônio. Toda instituição forte precisa ter o seu patrimônio valorizado, bem gerido. E a gente tem que discutir com calma, junto ao conselho, que faz a parte legislativa, ouvir os sócios em assembleia, sobre o que eles pensam, e fazer estudo de viabilidade econômica de vários cenários: um cenário de manter os dois equipamentos, Fazendão e Cidade Tricolor; um cenário de vender um dos dois equipamentos; um cenário de ficar com a Cidade Tricolor e fazer um novo empreendimento no Fazendão, que rentabilize economicamente para o Esporte Clube Bahia. Então a gente tem que pensar com muita calma e ver economicamente qual o impacto de cada um desses cenários, e aí sim tomar a decisão com segurança e equilíbrio.

Se fosse você a tomar essa decisão sobre a Cidade Tricolor, qual você acha que seria a mais viável?
– Utilizar a Cidade Tricolor e analisar com calma o futuro do Fazendão, dentro desses três cenários. Dá para mantê-lo também, não dá; dá para vende-lo, não é o ideal… Ou o terceiro cenário de buscar um investidor que fizesse um equipamento que rentabilizasse economicamente para o Esporte Clube Bahia.

Você falou, no Globo Esporte, que até assumiria algum cargo em outro clube, mas se conhecesse e acreditasse no projeto de quem estivesse lá. O Atlético-PR se encaixa nesse perfil?
– Não falo de nenhum clube no momento, porque sou presidente do Esporte Clube Bahia. Eu ocupo, na minha visão, o maior cargo que eu poderia ocupar dentro do futebol. Porque é o clube por que sou apaixonado, é o clube que eu cresci apoiando. O clube de minha família, de meus amigos, de minha cidade. Então, por respeito, ao Esporte Clube Bahia, eu não trato de questões de outro clube enquanto eu for presidente. Mas o meu desejo, e isso eu deixo bem claro, é continuar dentro do futebol. Como imprensa, sempre trabalhei na parte esportiva, muito mais no futebol, pelo perfil do Brasil, do nosso país. Tenho interesse de continuar nesse mercado. Já pontuei diversas vezes que teria todo interesse em continuar como presidente do Esporte Clube Bahia, toda a motivação, as ideias… Mas as questões familiares, principalmente com a minha esposa, foi muito difícil. Abri mão de muitas situações, de relacionamento, momentos de lazer, por causa do cargo, que a posição de presidente impõe. E, no momento, adequado, a gente vai discutir essas possibilidades. Muita coisa pela imprensa também, de clube A, clube B, de federação, de liga… Esse ano eu pretendo ficar Natal e Réveillon com minha família, mas, em janeiro, sem dúvida alguma, tomara que eu tenha oportunidade de estar dentro do futebol, e a situação em que eu vou estar dentro do futebol, a gente vai ver com bastante calma, após eu deixar a presidência do Bahia.

Já chegou alguma coisa para você, alguma coisa que te agradou?
– Já tenho, sim, procuras para seguir no futebol como proposta para fazer coisas completamente diferentes no futebol de tudo que eu fiz. Trabalhando, por exemplo, na área de telefonia. Então são situações, assim, completamente diferentes. Essa parte política também, ser candidato a deputado, já foi abordada algumas vezes. Mas não é a minha prioridade. Eu acredito que a política do Brasil tem bons nomes. Esses bons nomes são minoria; tem que ter uma renovação grande. Mas não é uma coisa que é prioritária na minha cabeça, nunca fui para nenhuma convenção de partido, reunião de nada… São situações que vão aparecendo, concretas, que, digamos assim, a gente tem como mostrar, tem como documentar, mas a minha prioridade é continuar no futebol. É o que eu prefiro.

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