sexta-feira, junho 24, 2022
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Política e samba nos bastidores de 82: Waldir Peres voltou no tempo em última entrevista a uma TV

No aniversário de 35 anos da derrota de uma das maiores seleções de todos os tempos, o Brasil perdeu também um dos melhores goleiros de sua história. Waldir Peres, titular na Copa do Mundo de 1982, partiu no último dia 23 de julho, aos 66, vítima de um infarto fulminante.

Em sua última entrevista a uma emissora de televisão, publicada de forma inédita nesta terça-feira, o ex-jogador falou justamente sobre aquele time, relembrando dos bastidores ao dia da derrota para a Itália, em depoimento ao especial “1982 – Aos Nossos Campeões” dos canais ESPN.

“O nível dos jogadores daquela época era de alta categoria, que correspondia com a inteligência dentro de campo. No papo, na conversa, tinham um papo bem de alto astral, comandado pelo Sócrates quando era política; tínhamos um sambista, que era o Júnior, compositor e cantor”, brincou em referência a características de dois companheiros de equipe fora das quatro linhas.

Ao relembrar a Tragédia do Sarriá, como ficou conhecida a derrota do Brasil por 3 a 2 para a Itália, na segunda fase do Mundial de 82, Waldir admitiu que custou à seleção entender o que havia acontecido.

“Para cair a ficha que estávamos eliminados, demora. O juiz apitou, você fica pensando. Saiu, não saiu? Você fica meio fora do ar. Até cair a ficha que você não ia para a semifinal”, disse.

E se pudesse voltar àquele dia, reviver 5 de julho de 82?

“É bem difícil. O interesse seria ter ganhado. Que a bola do Oscar tivesse entrado; que o juiz tivesse dado o pênati no Zico, que rasgaram a camisa dele; que eu não tivesse tomado os três gols do Paolo (Rossi). Isso seria uma coisa ideal, porque seria o ideal ganhar e, se ganhar, a gente seria campeão do mundo. As pessoas até falam ‘ah, você foi campeão do mundo’ e isso dá uma satisfação muito grande, ter participado daquela seleção”, emocionou-se.

Derrota doída à parte, o ex-goleiro sorriu ao falar do reconhecimento que recebia até então por ter feito parte do time comandado por Telê Santana. Em sua última entrevista, citou até Pep Guardiola, técnico do Manchester City, um dos que já elogiou publicamente o Brasil de 82.

“A gente perdeu, mas perdeu brigando, lutando. Às vezes a gente não vê isso mais na seleção brasileira, porque é uma satisfação estar defendendo o seu país, e é importante, isso passa. Você vê, com o passar do tempo, elogios, por exemplo, agora o Guardiola comenta em relação àquela seleção. Foi uma seleção vista, comentada. Nossa seleção é lembrada no mundo todo.”

Assim como Waldir também será…

  • Depoimento

Dudu Magnani, diretor de “1982 – Aos Nossos Campeões”, foi responsável pela entrevista com o ex-goleiro e guarda na memória o registro que acaba se tornando histórico. Abaixo, ele compartilha, em palavras, o Waldir que conheceu naquele dia:

“Passei uns bons dias deste ano de 2017 debruçado e trabalhando no especial sobre a seleção de 1982. Nesses dias, conheci os caras daquele time – com alguns, já tinha trabalhado; outros, conhecia de dividir mesa de almoço em coberturas internacionais. Waldir Peres foi um dos que conheci…

Chegamos pra entrevistá-lo e, logo de cara, já demonstrou o astral que tinha. Só parou de fazer onda e tirar sarro de tudo, e de nós da equipe, durante a entrevista… Que figura!

Quando as perguntas começaram a aparecer para ele, foi nítida a mudança de postura: não acredito em tristeza ou amargura. Waldir se emocionou falando deles: lamentou não ter defendido as bolas que Paolo Rossi chutou, cornetou o juiz por não marcar o pênalti do Gentile em Zico e deixou claro que tudo que fizeram lá na Espanha foi pensando no povo que estava aqui sofrendo por/com eles – e sofrendo por tantos outros motivos…

Eles queriam ganhar…

Não ganharam a taça dentro de campo, mas o que ganharam fora dele foi talvez muito maior que um troféu… E isso ninguém apaga (nem mesmo os mais chatos que insistem em dizer que aquele time errou isso, aquilo e aquilo outro).

Há 35 anos não entendíamos o motivo da derrota… Com a morte de Waldir, perdemos de novo…

No fim da entrevista, disse que o especial tentaria mostrar o que eles fizeram com brasileiros que começavam a entender o mundo naquela época… E agradeci – pela minha geração – tudo que nós vimos: o futebol bem jogado, as ideias arejadas, a amizade e principalmente os ideais de liberdade que caminhavam lado a lado com aquele time.

Ele agradeceu emocionado. Nos ‘colocou’ dentro do carro e se despediu…

‘Vão com Deus’, ele disse.”

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