Sete vitórias, um empate e uma derrota nos nove primeiros jogos de 2017. Um desses triunfos na quarta (22), contra um dos principais rivais, o Palmeiras, com um jogador a menos durante a maior parte da partida.

O início de ano para Fábio Carille como técnico efetivo do Corinthians está bom, mas por incrível que pareça o não impeachment do presidente Roberto de Andrade, dirigente que bancou sua promoção, pode significar problemas para o treinador nos próximos meses.

Para nem levar à votação do Conselho Deliberativo o processo de destituição que enfrentava, Andrade fez acordo com o ex-presidente, hoje deputado federal Andrés Sanchez, com quem entrou em conflito nos últimos meses, apesar de serem do mesmo grupo político no clube.

Há tempos Sanchez tenta voltar a ter influência no departamento de futebol, e agora terá, apurou o blog. Não se sabe se diretamente, o que é mais improvável, ou com alguém de confiança. A saída de Alessandro Nunes da gerência de futebol, rumo à CBF para trabalhar com Edu Gaspar, deve facilitar a entrada de alguém ligado a Sanchez no departamento.

E, dentro do Corinthians, sabe-se que o desejo de Sanchez é ter um treinador mais experiente no cargo – nada contra Carille, a quem, em 2010, Sanchez, então presidente, disse nem saber quem era em entrevista à Rádio ESPN quando perguntado sobre seu técnico interino.

A decisão de bancar Carille, que é auxiliar na comissão técnica permanente do clube desde 2009, passando por técnicos como Mano Menezes e Tite, foi exclusiva de Andrade, que não conseguiu encontrar alguém mais experiente que agradasse.

Reinaldo Rueda, do Atlético Nacional-COL, foi tentado, mas avalia-se no Parque São Jorge que não da maneira como deveria ter sido feita, com mais ênfase. Seria um nome que agrada a Sanchez, como Dorival Jr, do Santos, que apesar de boas campanhas recentes sofre pressão na Baixada santista pelo início de ano irregular – não seria absurdo pensar que pode sair.

O emprego de Carille depende, claro, de bons resultados. Se o time deslanchar, continuar vencendo clássicos, disputar o título Paulista e começar bem o Brasileiro, o grupo de Sanchez não teria como sacá-lo. Mas se começar a perder, o treinador corintiano terá de contar com outro fator: que Sanchez se distancie do futebol novamente nos próximos meses.

Noticiário desta quinta (23), de que na deleção de executivos da Odebrecht na operação Lava-Jato foi dito que houve pagamento de caixa dois para a campanha de Sanchez como deputado, revelado pela “Folha de S. Paulo”, pode fazer com que Sanchez priorize a defesa e o mandato. O que poderia significar paz para Carille.