Presidente do Bahia revela ser canguinha e que proíbe conselheiro no CT

O Bahia encaminha nesta semana a prestação de contas de 2016 com receita de R$ 127 milhões. Segundo o presidente Marcelo Sant`ana, o Bahia estava praticamente sem dinheiro em caixa quando assumiu o clube, com os salários de novembro, dezembro e 13º não pagos.
Em entrevista ao ESPN Uol, o presidente do Tricolor afirmou que o Bahia era um clube safado e vagabundo. “Vem lá desde Roma: não basta para a mulher de Cesar ser honesta, tem que parecer. Então, o Bahia precisava mudar a sua imagem perante as pessoas. Era um clube safado, vagabundo, que não pagava, não respeitava, enrolava, atrasava salário, fazia tudo que não podia ser feito, mas fazia. Então, com honestidade, o que a gente busca no clube: resgatar credibilidade da instituição”, disse.
O presidente se preocupa mais com a administração financeira do que o futebol. “Depois de começar a militar no jornalismo, descobri que, na reportagem, gostava mais de números e gestão do que do jogo. Se eu fico sem ver um jogo, não morro, agora se fico sem participar de negociação de contrato, fico doendo, fico mordido, não me controlo”, afirmou.
Sant´ana ainda falou sobre as brigas com o Conselho Deliberativo do clube. A ordem da direção é proibir conselheiro até de assistir treinamento, se for necessário.  “Lá no clube, eu blindo ao máximo, não aceito que diretor meu vá ao Conselho, a exceção que permita. O que eu digo no Bahia? A gente sofreu muito no primeiro ano porque o Conselho às vezes quer participar da gestão. Não aceito. Para mim, a gestão é da diretoria executiva. Tanto que sou eu que vou às reuniões. Ou melhor, eu ia. Briguei tanto que agora vai meu vice-presidente (Pedro Henriques)”.
“Proíbo conselheiro de entrar no CT. Dá confusão, mas eu proíbo. Porque para mim não é para conselheiro ir ao CT. No caso do Bahia, CT também é sede administrativa e lá só entra funcionário ou quem tem reunião marcada. Se não, é ‘peru’ ou curioso, enxerido ou qualquer coisa. ‘Ah, mas eu quero ver o treino hoje?’ Então, você peça para ver o treino. Se a comissão técnica não se incomodar, tudo bem. Se incomodar, você não vai. ‘Mas eu sou conselheiro’. E daí? Me mostre onde tem escrito que pode”, detonou.
Quando o assunto é adiministração, a economia é a regra principal. Marcelo não admite trazer atletas com valor superior a R$ 200 mil . “Eu sou um pouco ‘canguinha’.Rapaz, não concordo pagar R$ 250 mil para um jogador’. Tem horas que não tem como. Tem que pagar. R$ 200 mil ali, R$ 150 mil, R$ 120 mil, R$ 30 mil do diretor, R$ 40 mil outros jogadores, conta grande, tem que entrar dinheiro”, concluiu.
Vale lembrar que o Bahia foi eliminado na Copa do Brasil pelo Paraná, clube que disputa a segunda divisão e tem orçamento bem inferior ao Tricolor de Aço. O clube segue na briga pelo Baianão e Copa do Nordeste.