Presidente do GAF abre portas para árbitros em busca de qualificação

O presidente do Grupo de Árbitros de Futebol de Camaçari (GAF), Denílson Menezes, participou do programa Esporte Geral, na Rádio I+, sob o comando de Aderbal Monteiro e comentários de Deogival do Carmo. O programa conta ainda com o setorista do Vitória, Filipe Lira e a setorista do Bahia, Luana Velloso. Denílson Menezes falou sobre sua trajetória e também sobre as novidades recentes envolvendo a arbitragem como árbitro vídeo, e mudança na idade permitida para apitar o campeonato Brasileiro.

Esporte Geral –  Quem é Denílson Menezes e como se deu sua trajetória na arbitragem?

Denílson Menezes – Eu era jogador de futebol, disputei quatro Campeonatos Baianos, joguei no São Francisco do Conde, na época de Casa Grande. Disputei cinco intermunicipais, fui campeão por Coité, joguei também por Santo Amaro.  Mas tive uma lesão no joelho e resolvi parar de jogar futebol. Tomei um curso de árbitro ministrado por um membro da Federação Bahiana de Futebol (FBF) que aconteceu em Santo Amaro, onde eu residia na época, em 2003. Fiquei em segundo lugar na avaliação do curso. No meu primeiro Intermunicipal fiz reserva pra Joílson Macedo, que é um grande amigo. Nesse jogo eu cuidei da sumula e só deixei para ele assinar. Ele ficou impressionado e daí em diante me deu uma força muito grande. Tenho muito a gradecer a ele e a Arilson Bispo da Anunciação. No dia 4 de dezembro do ano passado completei 13 anos de arbitragem e já tenho 40 finais na minha carreira. Estou muito feliz por esse momento que estou vivendo.

Esporte Geral – Como está o grupo GAF e como se organiza?

Denílson Menezes – O grupo está trabalhando forte, com humildade, pé no chão e foco. A gente não tem o apoio, é um trabalho voluntário, arrecadamos R$ 20 reais de cada árbitro e com esse valor investimos no grupo. Fizemos investimento de R$ 3.800 reais em uniforme para os árbitros, R$ 4 mil reais em uniformes para viagens, calças e camisas. Estamos comprando jogos de rádio. Tudo custeado pela gente. O objetivo foi dar uma roupagem nova à arbitragem de Camaçari, tirar aquela imagem suja que havia. Estamos conseguindo, a luta está sendo árdua. Para quem critica digo as portas estão abertas, quer treinar, se qualificar, ser arbitro de verdade, nos procure não vai perder nada. O grupo GAF está com a nova nomenclatura das regras, com as emendas novas, totalmente atualizado.

Esporte Geral – O GAF é muito procurado fora daqui nos principais campeonatos, como está a agenda de vocês?

Denílson Menezes – Como a liga estava sem representatividade na federação, eu fiz um intercâmbio com árbitros de outros locais. Coloquei cinco árbitros de Camaçari saindo para o intermunicipal, também a Bahia Cup que conta com oito árbitros aqui da cidade. Fechamos o Campeonato de Santo Amaro, Esplanada, Cardeal da Silva, e recebemos contato de Rio Real e Saubara. Eu sei da capacidade da arbitragem de Camaçari. Estamos fazendo um trabalho de base, para o árbitro novo e de reciclagem para os mais antigos. O trabalho está sendo bonito.

Esporte Geral – A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), aumentou a idade limite para apitar o Campeonato Brasileiro, Série A para 50 anos, B 42. Qual sua opinião sobre essa decisão?

Denílson Menezes – Correr o árbitro corre em todas, então o critério de dar esse limite máximo deveria existir de acordo com a capacidade física do árbitro, porque te, gente que não acompanha. Tem que levar em consideração o histórico e desempenho de cada árbitro. É possível apitar até 50 anos, mas é necessário ver o rendimento físico, se está correndo, chegando perto do lance, porque à medida que a idade avança o desempenho físico cai, isso é normal. Mas aí acho que não resgata todos, vai existir avaliação. Quanto a 42 anos, na Série B, acho que vão fazer um trabalho com árbitro novo. Se ele se cuida consegue, senão não vai atingir arbitragem de alto nível.

Esporte Geral – A CBF pretende lançar esse ano no Brasileirão o Árbitro Vídeo, que já está gerando polêmica quanto ao seu uso. Você acha vai ajudar ou atrapalhar a arbitragem?

Denílson Menezes – Vai perder a graça, vai perder a resenha da segunda-feira, não vai haver a discussão se foi pênalti ou não, impedimento, se a bola entrou ou não entrou, já vem na segunda fazer a resenha com a certeza de tudo. A responsabilidade do arbitro é decidir, mas com o vídeo ou sem vídeo ele vai errar. O Árbitro de Vídeo é para definir lances como impedimentos, gols, pênaltis, mas em alguns lances como uma falta no meio de campo que dê contra-ataque que não poderá ser parado, por exemplo, como será se resultar em gol?  É complexo. Na minha opinião vai ser um teste, mas que não vai a frente, até porque vai mexer muito com o psicológico do árbitro, ele vai marcar os lances com medo ou no impulso e depois vai buscar o recurso. Se para o jogo toda hora para buscar o recurso do vídeo, o jogo não anda e o torcedor vai ficar irritado. E outro detalhe é sobre a qualificação do árbitro e todos que vão trabalhar.

Esporte Geral – Certamente vão voltar a acontecer os campeonatos amadores. Uma vez a Liga de Futebol de Camaçari precisando de árbitros do GAF, vocês atuariam?

Denílson Menezes – Nós somos árbitros da Liga, tudo da Liga depende da Federação Bahiana de Futebol (FBF), tudo da FBF depende da CBF, tudo da CBF depende da Federação Internacional de Futebol (FIFA). A gente não pode dar as costas para liga, mas nós já temos nossos campeonatos e nossa praças conquistadas e não vamos nos afastar disso. Temos que deixar os árbitros com a mesma identidade que tem hoje.