segunda-feira, maio 16, 2022
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“Provocações nas ruas e na praia, xingamentos”, relata Simone Medina sobre tensão

A disputa do título mundial entre Gabriel Medina e John John Florence fez aumentar a tensão entre brasileiros e havaianos na última etapa do Circuito Mundial, em Pipeline, no Havaí. Pelas ruas, cartazes e faixas mostravam o apoio ao ídolo local. O localismo, que se manifesta de forma violenta no arquipélago do Pacífico, cresceu com a decisão deste ano. Provocações e xingamentos incomodaram a família do paulista de São Sebastião, que lutava pelo bicampeonato na costa norte da ilha de Oahu. A mãe do surfista de Maresias, Simone Medina, mal saía de casa com medo de represálias. A irmã caçula de Gabriel, Sophia, se sentiu desconfortável na pista de skate, e até crianças foram instruídas para provocar e xingar os familiares do surfista.

– Foi bem difícil esse ano. Foram provocações nas ruas, na praia, os adultos instruindo as crianças porque a gente não ia poder falar nada com as crianças, para ficarem nos provocando, xingando. A gente veio aqui na paz, para competir, como em todos os outros lugares… A gente recebe eles super bem no nosso país. Não existe nada disso lá. A gente sentiu muita falta de educação. Eu quase não saí de casa… Minha filha foi andar de skate na pista e parecia que ela era uma leprosa. Os caras viam ela na pista, e iam para o outro lado… Foi punk – afirmou Simone.

Quando Sophia foi para a pista de skate, havia algumas pessoas da família Florence no local, mas nenhum se aproximou da menina, que segue os passos do irmão no surfe.

Sophia Medina e Gabriel Medina após o vice-campeonato mundial do surfista no Havaí (Foto: Reprodução/Instagram)Sophia Medina e Gabriel Medina após o vice-campeonato mundial do surfista no Havaí (Foto: Reprodução/Instagram)

Sophia Medina e Gabriel Medina após o vice-campeonato mundial do surfista no Havaí (Foto: Reprodução/Instagram)

Nas vezes em que John John esteve no Brasil, ele foi abraçado pelo público, que o tratou como ídolo e fez muito barulho na praia para torcer pelo havaiano, seja em Saquarema, no litoral fluminense, ou na Barra da Tijuca, bairro da Zona Oeste do Rio de Janeiro.

– O povo brasileiro tem que aprender a vestir a camisa. Vai lá, estende o tapete vermelho para o cara, e massacram a gente… Mas o que não nos mata, nos fortalece – lamentou Simone.

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