Rejeitado pelo tamanho, ‘mirradinho’ já chapelou rival de 1,84m do Barça e hoje é esperança do Corinthians

“Tem um jogador aqui é que é muito diferente. Já veio um monte de gente para levar, mas o pai não deixa. É fodido, só que é pequenininho, mirradinho, os caras acham que não vai virar jogador.”

Foi assim que o empresário Will Dantas ouviu falar pela primeira vez de Pedrinho. Do outro lado da linha, um olheiro de Maceió, capital alagoana, se derretia pelo jovem, então com 12 anos, que fará, aos 18, sua primeira partida como titular no time profissional do Corinthians nesta quinta-feira.

Dos elogios até o jogo contra o Red Bull, às 17h, na Arena, porém, não faltaram obstáculos na vida do meia-atacante de 1,71m: ele foi rejeitado em dois clubes – um deles o rival São Paulo -, pensou em desistir do futebol, até passar por cima de tudo – incluindo de um zagueiro do Barcelona bem maior que ele.

  • Filho do ‘terrão’ desde cedo

Se o torcedor do Corinthians se orgulha de seus jovens do “terrão”, em referência aos campos sem grama onde as categorias de base do clube já treinaram, Pedrinho conheceu a terra batida desde cedo. Foi nesse piso que o menino começou a demonstrar seu talento, no bairro Chã da Jaqueira, em Maceió.

De lá, saiu para disputar torneios escolares e vestiu a camisa do CSA, sempre com destaque. Foi então que Dantas se aproximou e, com ajuda de um outro jovem alagoano agenciado, convenceu o pai, Pedro, enfim: era hora de Pedrinho tentar crescer no futebol. O destino foi Salvador, Bahia, no Vitória.

Logo na chegada, Pedrinho – ainda chamado de Vitinho, por causa do segundo nome – se empolgou e protagonizou um vídeo engraçado ao lado do empresário no Barradão (veja abaixo). Os risos, contudo, duraram pouco, e o porte físico “mirradinho” lhe atrapalhou pela primeira vez.

“Viajei para a Europa e, quando voltei, tinha um monte de ligação. Retornei, e Vitinho estava se acabando de chorar: ‘Pô, Will, me mandaram embora'”, relembra Dantas, ao ESPN.com.br, recordando também o que ouviu de Epifânio Carneiro, então diretor de base rubro-negro: “Os caras acham que ele não cresce”.

A dispensa e a saudade da família fizeram Pedrinho pensar em desistir. “Ali eu pensava que essa vida de futebol não era para mim. Foi então que meu pai me disse: ‘Você tem um grande futuro, Deus reservou grandes coisas para você’. Acabei ficando quatro meses parado em Maceió, até surgir uma chance no São Paulo.”

  • Ajuda de apresentador e CorinthiansA oportunidade de vestir a camisa tricolor foi intermediada pelo apresentador César Filho, são-paulino e amigo do empresário de Pedrinho dos tempos que era cantor. Contudo, após passar um ano no Vitória, o jovem jogador desta vez não conseguiu sequer ser aprovado na semana de testes e, novamente, foi dispensado.

    “Com dois ‘não’ nas costas, eu queria desistir, não aguentava mais ser reprovado”, afirmou Pedrinho, em entrevista ao site oficial do Corinthians, que viria a ser seu time a partir de 2013. A chance foi conquistada no último de três dias testes, com um gol em chute “com um pouco de raiva”, segundo ele, justamente sobre o Vitória.

    “A bola foi na gaveta e esse é um dos gols mais importantes que fiz, ele mudou minha vida. Depois disso, o Márcio (Zanardi, então técnico da categoria sub-15 alvinegra) me aprovou”, conta Pedrinho, que acabaria sendo até campeão mundial ao lado do treinador que lhe deu aval para seguir no Corinthians.