Sem Baianão, clubes do interior fazem faxina em seus elencos

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A pandemia de Covid-19 fez a Federação Bahiana de Futebol (FBF) suspender o Campeonato Baiano de 2020 por tempo indeterminado. No entanto, mesmo com a possibilidade de volta, muitos dos clubes do interior dispensaram os seus jogadores e comissão técnica, pois estão tendo que arcar com perda de patrocinadores, indecisões sobre a continuidade do campeonato e como ficará a tabela final. “Nós temos algumas coisas para pagar, é complicado. Não só para o Fluminense de Feira, mas para todos os times do interior que estavam sem calendário”, disse o presidente do Flu, Ewerton Carneiro.

Mesmo sendo um campeonato que paga apenas R$ 121,8 mil para os clubes do interior em cotas de TV – e sem premiação – o Baianão é o principal meio de acesso dessas equipes para torneios maiores que pagam mais, como Copa do Nordeste, Copa do Brasil e Série D do Campeonato Brasileiro. Em 2020, apenas quatro times terão calendário até o final do ano: Atlético de Alagoinhas (Série D), Bahia de Feira (Série D), Vitória da Conquista (Série D) e Jacuipense (Série C).

Libera ou não?

Como a FBF ainda não se posicionou sobre a continuidade do Baiano, não se sabe como acontecerá a classificação para os torneios nacionais de 2021. As quatro equipes que não tinham calendário (Flu de Feira, Jacobina, Juazeirense e Doce Mel) já dispensaram todos os atletas do elenco.

Ainda assim, mesmo aqueles clubes que disputarão torneios no segundo semestre – caso eles venham a acontecer – já tomaram medidas de diminuição de gastos. O Atlético de Alagoinhas foi o único que discordou da decisão da FBF, e desmontou parte de seu elenco. “No máximo, teria 70 pessoas no estádio, e dava para fazer tudo separado. Mas depois o Bahia voltou atrás e ainda expôs o presidente [da FBF]. Eu tenho certeza que dava para realizar esses dois jogos [os últimos da primeira fase]. Alguns contratos nós rompemos em definitivo. Mas os contratos dos jogadores que temos interesse, nós mantivemos suspensos até próxima ordem”, disse o presidente do Carcará, Albino Leite.

O caso é parecido com o do Vitória da Conquista. “Rompemos 90% dos contratos. Os únicos que sobraram foram quatro ou cinco jogadores que já estavam anteriormente”, revelou o presidente Ederlane Amorim. Já o Bahia de Feira, como tinha se planejado para a Série D deste ano, firmou contrato com os jogadores até abril de 2021. “Vamos encerrar esse mês de março, e a partir daí ter um bom diálogo. Nossos atletas sempre foram abertos com a diretoria, então acho que não teremos nenhum problema”, afirmou Thiago Souza, presidente do Conselho Deliberativo do Tremendão.

O Jacuipense, por sua vez, ainda conta com a Série C para manter o planejamento. “Fechamos todas as categorias, atividade para ninguém, mas não rescindimos contratos com ninguém, porque temos calendário de série C este ano. Se parar tudo, a gente tá lenhado. Lenhado”, analisou o diretor Luciano Cortizo.

E se voltar?

O presidente da FBF, Ricardo Lima, em entrevista ao A TARDE, disse que acredita no retorno do Campeonato Baiano. “Nós suspendemos, não demos ele como terminado. A gente realmente precisa aguardar um movimento mundial. Mas eu e toda a nossa diretoria entendemos e acreditamos que, lá na frente, conseguiremos, sim, retornar o calendário de futebol do estado. Nós precisamos de seis datas para que ele possa ser concluído”, analisou.

O presidente da Juazeirense, Roberto Carlos, discorda da opinião de Ricardo Lima. “Se fosse possível o governo controlar essa pandemia agora ou daqui a dez dias, daria para os estaduais voltarem. Mas, na minha opinião, esses campeonatos não serão concluídos e devem ser nulos. Não posso esperar quatro ou cinco meses. Renovar contrato de jogador eu não vou. Isso eles entenderam”, afirmou.

Já Ewerton Carneiro, do Flu de Feira, disse que, caso volte, os órgãos terão de apoiar. “Eu acho difícil, mas, se voltar, vai ter que ter ajuda do governo, da Federação Bahiana, porque não tem condições”, disse. Jacobina e Doce Mel também não acreditam na possibilidade de volta. Até o momento, a FBF não entrou em contato com nenhum clube para falar sobre algum tipo de suporte que possa dar, mas alegou estar analisando as possibilidades com a CBF.

O futuro

Os clubes ainda estão em dúvida sobre como vão ser as classificações para as competições de 2021. A principal sugestão entre eles é manter o ranking de 2019. O presidente da FBF não sabe qual será a solução. “Ainda não trabalhamos com a hipótese de cancelamento da competição nem de manter o calendário de 2019. O campeonato precisa ser terminado, uma vez que eu não posso de maneira alguma preservar a tabela atual, porque eu estaria decretando algo que não é direito da FBF, e que em qualquer esfera judicial cairia por terra. Então, a gente não pode trabalhar com essa hipótese”, disse.

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