Só era amadora, há 104 anos, teve campeão paulista levando tantos gols quanto São Paulo de Ceni

Se quiser brigar pelo título do Campeonato Paulista, o São Paulo Ceni terá que melhorar seu sistema defensivo. Ainda que o time de Rogério Ceni tenha o melhor ataque do torneio até aqui, a história mostra que é praticamente impossível ser campeão sofrendo tantos gols.

Em cinco jogos no Estadual de 2017, a defesa são-paulina já foi vazada 11 vezes, em uma média de 2,2 gols sofridos por partida. Somente na era amadora do futebol, há mais de um século, uma equipe já conseguiu ser campeã paulista sofrendo mais de dois tentos por jogo.

Aconteceu em 1913, há exatos 104 anos, no Campeonato Paulista da APEA (Associação Paulista de Sports Athleticos) – entidade que nasceu como racha da Liga Paulista (LPF), para popularizar o esporte -, em torneio disputado em apenas seis partidas, por três agremiações.

Na ocasião, o Club Athletico Paulistano conquistou o Paulista – paralelamente, a LPF também organizou seu Estadual, vencido pelo Americano – sofrendo impressionantes 13 gols em seis jogos, em uma média próxima – ainda que um pouco inferior – à do atual São Paulo: 2,16.

Desde 1902, considerando tanto os Paulistas com organização da APEA, LPF ou o que se tornou a atual Federação Paulista, nunca houve outro campeão estadual com média de gols sofridos tão alta.

A equipe que mais se aproximou disso também foi da era amadora, o Palestra Itália de 1926, campeão do Campeonato Paulista Extra (segundo torneio organizado naquele ano pela APEA). Também em competição curta, a agremiação faturou o título com oito gols sofridos em quatro jogos.

Desde a criação da Federação Paulista, em 1941, o campeão estadual com pior defesa foi o Santos de Pelé em 1964, com 47 gols sofridos em 30 jogos, em uma média de 1,57. Em seguida, aparece o Corinthians de 2001, com 28 tentos em 18 partidas, 1,56 por duelo.

Nos últimos seis anos do Paulista, aliás, não houve time campeão levando sequer um gol por jogo. A pior defesa que conquistou o título nos últimos anos foi o Santos de 2010, também comandado por Dorival Júnior na época, com 1,35 tentos sofridos de média (31 em 23 partidas).

Ainda que tenha a segunda pior defesa do Paulista, melhor apenas que a do Linense (15 gols em cinco jogos), o São Paulo tem, por outro lado, o melhor ataque da competição, tendo balançado as redes rivais 15 vezes em cinco partidas (média de três por rodada).