Tiro curto por resultado imediato: desafios de Carpegiani para arrumar o Bahia

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Doze jogos e menos de dois meses de trabalho. Mesmo com esse curto desafio, o técnico Paulo Cézar Carpegiani não teve dúvidas ou, como ele mesmo diz, receio algum em assumir o comando do Bahia. Confiante no grupo à disposição, ele é o quarto treinador do clube em 2017. Ele é a nova aposta da diretoria para fazer o time encerrar a fase de instabilidade apontada pelo presidente Marcelo Sant’Ana e se livrar de vez do risco de rebaixamento do Campeonato Brasileiro.

Com período curto de trabalho pela frente, Carpegiani não tem perdido tempo. Logo que desembarcou em Salvador, a sete dias do seu primeiro jogo à frente do Tricolor, o treinador começou a fazer algo apontado por ele como fundamental para qualquer equipe: exercitar. Em todos os treinos realizados até aqui, Carpê promoveu trabalhos táticos, sempre com a equipe considerada titular montada e repetindo fundamentos considerados importantes. A ideia é ter logo em mente um time ideal e fazer com que os jogadores assimilem bem os seus conceitos.

A estreia de Carpegiani vai ser na próxima quinta-feira, diante do Palmeiras, no Pacaembu. A três dias desta partida, o GloboEsporte.com elencou os principais desafios que o novo treinador do Bahia terá nessa passagem.

Resposta rápida em sequência dura

É comum o discurso de que o futebol é imprevisível, que nem sempre o que parece realmente se concretiza em campo, mas é inegável que, pelo menos no papel, os próximos quatro jogos do Bahia prometem ser dos mais complicados. Na sequência, o Tricolor terá pela frente o Palmeiras (fora de casa), Corinthians (em casa), Flamengo (novamente fora) e o clássico com o Vitória, na Fonte Nova.

Para justificar o peso dessa sequência do Bahia basta lembrar o desempenho do time no primeiro turno. Na ocasião, o Tricolor conquistou apenas um ponto em quatro partidas. Em 13º lugar, com 31 pontos, apenas um a mais que o Sport, time que abre a zona de rebaixamento, o Tricolor não vai poder se dar ao luxo de ter aquele mesmo aproveitamento.

Estabelecer uma forma de jogar

Em um mesmo campeonato, o Bahia teve quatro treinadores e formas diferentes de jogar. Do time firme na defesa e de transições rápidas para o ataque com Guto Ferreira, o Tricolor assumiu uma postura mais cadenciada e de valorização do toque de bola com Jorginho. Com Preto Casagrande, o Bahia navegou entre os dois modelos de jogo, não teve “uma cara” e, portanto, não encontrou um padrão satisfatório de atuação.

Talvez, para Carpegiani, essa seja até a tarefa que ele mais esteja familiarizado. Conhecido pelo amplo conhecimento tático na montagem dos seus times, o treinador tem reconhecida capacidade para fazer o Tricolor consolidar uma forma de jogar, ter uma cara. E uma característica vista por ele como fundamental foi revelada na sua primeira entrevista como técnico do clube. Na ocasião, o treinador destacou a importância de ter uma equipe compactada.

Definir o “10” ideal

Régis perdeu o posto de titular no Bahia (Foto: Felipe Oliveira/Divulgação/EC Bahia)Régis perdeu o posto de titular no Bahia (Foto: Felipe Oliveira/Divulgação/EC Bahia)

Régis perdeu o posto de titular no Bahia (Foto: Felipe Oliveira/Divulgação/EC Bahia)

Destaque do Bahia no primeiro semestre, quando foi eleito o craque da Copa do Nordeste e do Campeonato Baiano, Régis tem oscilado no Campeonato Brasileiro. Por conta disso, o meia perdeu a posição no time titular para Vinícius e ocupou o banco de reservas nos últimos três jogos. A questão para Carpegiani é que o substituto de Régis também não tem agradado. Embora até com mais jogos no Brasileiro que o ex-titular (20 contra 17), Vinícius não se firmou.

Com os dois meias do time longe dos melhores momentos, Carpegiani terá decidir qual dos dois utilizar e o que pode ser feito para que possam render mais. À primeira vista, parece que esse ponto já está na pauta do treinador. Em um dos trabalhos realizados na semana passada, o técnico chegou a testar os dois juntos.

Em meio a tantas peças, encontrar melhor ataque

O ataque do Bahia mudou muito ao longo da temporada Não somente em relação às peças, mas também às formas de jogar. O Tricolor saiu, com a lesão de Hernane, de um trio de frente com um centroavante de ofício para um ataque rápido, formado por jogadores de mobilidade. Depois, com a queda de rendimento desse ataque e chegada de Rodrigão, a equipe voltou a adotar o sistema com um centroavante. Forma de jogar que esteve presente nos últimos jogos, mas que não atravessa a sua melhor fase neste momento da temporada.

Previsível e com poucas ideias na frente, o Bahia marcou quatro gols nos últimos cinco jogos. Desses, apenas um com Rodrigão, maior esperança de gols do time. Depois de começar a temporada voando, com quatro gols nos três primeiros jogos como titular, o centroavante não manteve a média e tem apenas uma bola na rede nos últimos oito jogos que disputou.

Em meio às oscilações do ataque, Carpegiani tem um leque de opções para decidir qual se enquadra melhor ao seu modelo de jogo: Mendoza, Zé Rafael, Rodrigão, Allione, Hernane, Edigar Junio… O último, inclusive, pode ser uma das novidades do treinador para oxigenar a equipe titular. Ao longo dos treinamentos, Edigar chegou a ser testado no lugar de Rodrigão e formou um novo ataque móvel no Bahia, com Mendoza e Zé Rafael. Neste caso, o atacante voltava a fazer as vezes de referência no ataque. Algo que não chega a ser uma novidade para ele.

Melhorar rendimento como visitante

Parte da campanha instável do Bahia no Campeonato Brasileiro se justifica pelo rendimento ruim do time jogando fora de casa. Em 13 partidas realizadas longe de Salvador, o aproveitamento é de duas vitórias, quatro empates e sete derrotas. É a terceira pior da competição. Nesse quesito, o time só supera São Paulo e Ponte Preta.

Como o Tricolor ainda vai fazer metade dos jogos que restam no Brasileiro fora de casa, é fundamental que o time também consiga trazer mais pontos. Mas a tarefa não será fácil, já que os adversários são Palmeiras, Flamengo, Fluminense, Avaí, Sport e São Paulo. Mais um desafio nada fácil que Paulo Cézar Carpegiani terá que superar.

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