domingo, maio 22, 2022
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Treinadores de ponta do futebol mundial formam o time dos “Sem Copa”

Vou assistir à Copa do Mundo no sofá, com uma boa cerveja, um bom vinho”. Podia ser o plano de qualquer torcedor de férias disposto a curtir o Mundial da Rússia numa boa. Mas a declaração foi dada por Pep Guardiola, na festa de comemoração do título inglês do Manchester City, em maio.

O badalado treinador espanhol faz parte de um restrito círculo de técnicos de primeiríssima linha no futebol europeu, envolvidos ano após ano nas principais disputas, e constantemente cobiçados pelos grandes clubes do continente, mas curiosamente sempre “de férias” no maior evento do futebol mundial.

Se quisesse, Pep Guardiola poderia convidar para ver a Copa e beber um bom vinho uma verdadeira seleção de treinadores de ponta que vivem a mesma situação, vencedores nos clubes e distantes das suas seleções: o alemão Jurgen Klopp, vice-campeão europeu com o Liverpool, o argentino Diego Simeone, que recolocou o Atlético de Madrid no cenário internacional nos últimos anos, ou o multicampeão português José Mourinho, atualmente no Manchester United, por exemplo.

Há lugar até para veteranos nessa lista, como outro alemão, Jupp Heynckes, técnico do Bayern de Munique, que entre inúmeros títulos possui duas Champions League, com Real Madrid (1998) e Bayern (2013) mas nunca dirigiu a seleção alemã. Ou o italiano Carlo Ancelotti, hoje no Napoli, campeão por onde passou, incluindo três títulos europeus (Milan em 2003 e 2007, e Real em 2014), sem nenhuma passagem pela seleção da Itália.

Se para os jogadores dos grandes países, disputar a Copa do Mundo é o objetivo final pelo qual trabalham a cada quatro anos, para esses treinadores é tempo de descanso. No máximo, um trabalho extra como comentarista. Embora em tese a grande festa do futebol seja o lugar onde os melhores do mundo se encontram, a regra parece só valer dentro de campo. No banco, a elite dos treinadores mundiais não tem vez.

– Técnicos como Guardiola, Mourinho, Simeone, Klopp, eu diria também (Unay) Emery, que estava no PSG (hoje no Arsenal), (Arsene) Wenger (ex-Arsenal), em sua época (Alex) Ferguson (ex-Manchester United), eles fariam um grande favor ao futebol estando em um Mundial. Seria muito positivo pelo que poderiam deixar – observa o jornalista argentino Juan Pablo Mendez, do diário Olé.

Zidane ao lado da Liga dos Campeões da Uefa, troféu que ele ganhou três vezes seguidas com o Real Madrid (Foto: Andrew Boyers/Reuters)Zidane ao lado da Liga dos Campeões da Uefa, troféu que ele ganhou três vezes seguidas com o Real Madrid (Foto: Andrew Boyers/Reuters)

Zidane ao lado da Liga dos Campeões da Uefa, troféu que ele ganhou três vezes seguidas com o Real Madrid (Foto: Andrew Boyers/Reuters)

Esse clube dos treinadores de elite ganhou um novo nome no último ciclo pré-Copa da Rússia: Zinedine Zidane, que com apenas dois anos e meio de carreira levou o Real Madrid a três títulos seguidos da Champions League. Nesta quinta, ele surpreendeu o mundo ao anunciar sua saída do clube espanhol, e já chacoalha o mercado com especulações sobre o seu futuro.

Embora tenha contrato até 2020 com a Federação Francesa de Futebol, o próprio treinador atual da França, Didier Deschamps, colega de Zidane em campo na conquista do Mundial de 1998, acredita que o futuro de Zizou como treinador passará, um dia, pela equipe nacional.

– Em algum momento ele será o treinador (da França). Quando, eu não sei. Mas me parece lógico que um dia ele assuma a seleção da França – disse Deschamps em coletiva de imprensa na quinta, após saber da saída de Zidane do Real.

Um destino que também parece certo para o jornalista francês Adrien Chantegrelet, do Le Parisien:

Salários astronômicos são trunfo dos clubes

Se a federação francesa quiser fazer uma oferta, no entanto, certamente terá uma concorrência forte para contratar Zidane. Este é um ponto comum que pode explicar a ausência de tantos nomes de peso fora das suas seleções: a questão financeira. Os riquíssimos clubes de primeira grandeza da Europa pagam salários astronômicos com os quais as federações nacionais não podem – ou não querem – competir.

Mas e o desejo de brilhar no maior palco do futebol, a Copa do Mundo, e coroar currículos já recheados de títulos com a glória máxima para um treinador, não deveria ser levado em conta? Para o jornalista inglês Dominic Fifield, do jornal The Guardian, cedo ou tarde algum deles acabará cedendo à tentação de treinar seu país numa Copa do Mundo:

– José Mourinho tem consistentemente mencionado que espera um dia dirigir Portugal quando sentir que já deu toda a contribuição possível a nível de clubes. Jurgen Klopp, aos 50 anos, ainda não atingiu tudo que deseja em um clube. Talvez, depois que conseguir tudo que espera, ele possa almejar dirigir a Alemanha.

Europa tem cultura de “treinadores de seleção”

Além do dinheiro, a cultura do futebol europeu ajuda a explicar essa tendência, algo inimaginável no Brasil. Aqui, o cargo de técnico da seleção é a maior ambição da profissão e, com eventuais exceções, destinado ao técnico que está vivendo a melhor fase da carreira. É o caso do atual ocupamente da vaga. Tite chegou à CBF, em 2016, depois de duas sequências absolutamente vitoriosas no Corinthians, tendo sido campeão brasileiro, em 2011, da Libertadores e do Mundial de Clubes, em 2012, e na segunda passagem novamente campeão brasileiro, em 2015.

 (Foto: Infoesporte) (Foto: Infoesporte)

(Foto: Infoesporte)

Uma das poucas exceções a esse estilo europeu de “treinador de seleções”, o espanhol Vicente del Bosque já tinha status de técnico de ponta, graças ao dois títulos europeus (2000 e 2002) e dois espanhois (2001 e 2003) com o Real Madrid, quando foi chamado para dirigir a Espanha, em 2008. E completou seu ciclo vencedor com as conquistas da Copa do Mundo de 2010 e da Euro de 2012. Curiosamente, seu sucessor é o pouco badalado Julen Lopetegui, que estava no Porto e não tem qualquer título a nível profissional no currículo, apenas os europeus sub-19 (em 2012) e sub-21 (em 2013) dirigindo a Espanha.

Guardiola longe da seleção espanhola: questão política?

Pep Guardiola com a fita amarela em adesão ao movimento separatista da Catalunha. Posição política contrária à Real Federação Espanhola de Futebol (Foto: Reuters)

Pep Guardiola com a fita amarela em adesão ao movimento separatista da Catalunha. Posição política contrária à Real Federação Espanhola de Futebol (Foto: Reuters)

Para Dominic Fifield, essa postura deixa o treinador fora dos planos da Real Federação Espanhola de Futebol:

– Pep Guardiola não faz segredo das suas crenças políticas, a favor de uma Catalunha livre e independente, o que presumivelmente o afastaria para sempre de dirigir a Espanha.

Tempo para implantar método de trabalho é curto nas seleções

Outra razão, essa esportiva, que pode afastar as seleções nacionais dos planos desses grandes treinadores é o método de trabalho. O sucesso nos clubes, muitas vezes, está intrinsecamente ligado aos treinamentos regulares, que possibilitam aos jogadores compreender – e treinar exaustivamente – o que desejam seus treinadores.

– A única maneira que eu conheço (de ter sucesso) é saber que enquanto você está descansando, os outros estão se preparando melhor para nos vencer. Então nós temos que nos preparar melhor. Treinar melhor e jogar bem é o único jeito que eu conheço para manter o seu nível – declarou Guardiola sobre o seu método de trabalho, após a conquista do título inglês, recheado de recordes quebrados na Premier League, em um vídeo divulgado pelo Manchester City nas redes sociais.

Jurgen Klopp, técnico que levou o Liverpool ao vice-campeonato da Liga dos Campeões (Foto: Andrew Boyers/Reuters)

Jurgen Klopp, técnico que levou o Liverpool ao vice-campeonato da Liga dos Campeões (Foto: Andrew Boyers/Reuters)

– Isso requer um tipo especial de jogador e uma sintonia fina nos treinos, o tipo de coisa que um treinador de seleção raramente conseguiria instigar nos jogadores, dado o pouco tempo que teria com o grupo. Talvez seu estilo de jogo (de Klopp) seja na verdade mais propício a um clube.

Simeone, bicampeão da Copa América (1991 e 1993) e presente em três Copas do Mundo como jogador da Argentina (1994, 1998 e 2002), teria uma dificuldade extra para voltar à seleção como treinador: dificilmente a Associação de Futebol Argentina conseguiria cobrir seu salário no Atlético de Madrid. E mesmo que o nacionalismo falasse mais alto, assim como Klopp o ex-volante precisaria adaptar seu estilo de treinamentos a uma nova realidade.

– Simeone já disse que gosta do trabalho do dia a dia com os jogadores. Em uma seleção, isso não é possível. Sabemos que Simeone não tem expectativa de dirigir a seleção argentina, isso quem disse foram ex-jogadores que o conhecem, como Caniggia, porque por agora ele tem um projeto forte no Atlético de Madrid, que gosta dele e o banca no cargo – observa o jornalista Juan Pablo Mendez.

– Nada impede que grandes treinadores estejam a frente de seleções, mas eu acho que é principalmente uma questão de ritmo e de “domínio” dos acontecimentos: esses treinadores tem algum ego e querem implementar um projeto, eles são hiper-ativos. O ritmo de uma seleção é menos agitado, e frustrante. Você não pode trabalhar muito com seus jogadores. Eu acho que é um trabalho que lhes interessa menos aos 40 ou 45 anos de idade. Mais tarde talvez – pondera o jornalista francês José Barroso, do L’Equipe.

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